A moda e o empreendedorismo como contribuidores para a redução da violência e do índice de desemprego na Baixada Fluminense, mesmo que em um universo ainda pequeno. Essas foram as
ferramentas usadas pela estilista Vívian Ramos ao criar a sua marca Zâmbia. A fabricação de suas peças é desenvolvida por artesãos de Caxias. Abaixo, ela conta um pouco dessa história:

Como nasceu a ideia de criar a Zâmbia?

Minha família trabalhava, durante muito tempo, com um polo de bordadeiras, artesãs que faziam trabalhos manuais em Caxias para grandes marcas. Então, já cresci nesse meio. Gosto de moda desde sempre. Sou formada em Moda e trabalho como estilista. Fiz cursos de empreendedorismo e foi daí que nasceu a Zâmbia. Decidi fazer acessórios por conta dessas pessoas que trabalhavam nesse polo de bordado. Percebi que atualmente elas não têm mais o volume de trabalho que tinham no passado e, com isso, tiveram sua renda impactada. Um dia encontrei uma pessoa que trabalhou nesse polo e que estava em dificuldades. Foi aí que pensei que queria trabalhar com moda, mas usando a mão de obra da Baixada Fluminense, justamente para devolver dignidade para essas pessoas. Consigo desenvolver
algumas peças em empresas da Baixada e fico feliz por isso, por revitalizar a região, a mão de obra.

A Zâmbia produz somente bijuterias?

Começamos com bijuterias por causa do baixo custo, mas estamos desenvolvendo calçados e bolsas. Estamos envolvendo o maior número de pessoas e marcas da região da Baixada para fazer uma
divulgação bem legal do trabalho de cada um e de sua importância para a marca. Queremos oferecer cursos e treinamentos, reciclar a mão de obra.

Qual é o propósito da Zâmbia?

Ela nasceu do meu desejo de ter uma marca, mas também de ser uma marca que represente a mulher brasileira. Vejo minhas sobrinhas deixando o sonho de ser modelo por serem negras, e a marca vem resgatar isso aí, essa essência. Busco fazer com que todos possam se identificar com a Zâmbia.

Quantas pessoas trabalham na Zâmbia hoje?

Somos três pessoas, mais sete colaboradores que fazem parte do processo de produção. Essa mão de obra que é mobilizada pela marca agrega muito valor e reforça nosso compromisso com a comunidade.

Há quanto tempo a Zâmbia foi criada? Qual é a sua produção mensal?

Ela foi criada em 2017, mas passamos a focar no desenvolvimento da marca há pouco mais de seis meses. Ainda trabalho em outra empresa, mas a Zâmbia é meu futuro. Vendemos cerca de 70 peças
por mês, via Instagram, feiras e venda direta, levando os produtos até a casa de clientes.

Você sempre quis ter um negócio próprio?

Sempre. Desde pequena eu vendia coisas na escola, tinha uma veia empreendedora.

Como você vê a oportunidade de participar de um coworking de lojas criativas?

Sensacional e essencial. O fato de não ter loja física tem um peso nas vendas, não cria uma relação de proximidade e de conhecimento entre o cliente e a marca. Acho que o ideal é unir online e físico para
poder fortalecer a marca.

De que tamanho você enxerga a Zâmbia no futuro?

Minha meta é que seja a maior empresa de acessórios do Brasil.