Jorge Cunha sempre amou cozinhar e é um desses casos de pessoa que, num determinado ponto da vida, mudou a rotina e a alimentação para cuidar da saúde, se tornando até maratonista. Porém, foi só depois que a empresa em que trabalhava fechou, e com uma pequena “forcinha” dos amigos, que uniu o gosto pela gastronomia e pela alimentação saudável e fez disso uma empresa, a Azeite e Pão. Confira a história dele abaixo e também as dicas que ele dá para escolher um bom azeite.

O que você fazia antes de criar a Azeite e Pão?

Tenho formação de tecnólogo em análise de sistemas e MBA em Saúde. Trabalhei nesta área por 20 anos, até que a empresa em que eu trabalhava fechou. Isso faz pouco mais de dois anos. Desde então, comecei a buscar outros caminhos.

Como veio a ideia de empreender com alimentação?

Eu já gostava de cozinhar e tinha o hábito de preparar refeições para a minha esposa e amigos. Num desses jantares que fazíamos, preparei um pão e um azeite temperado. Uma das minhas amigas presentes gostou tanto que quis comprar na semana seguinte, para ela e outros amigos. Recusei a vender, mas ela insistiu, deu preço aos produtos e começou a encomendar toda semana. Dois meses depois, eu fazia minha primeira feira. Comecei fazendo pão numa máquina doméstica e vendendo o azeite temperado.

Com o tempo, fui me especializando, estudando, melhorando os recursos e aumentando a variedade de produtos. Agora, estou fazendo formação para chef e contratei, inclusive, uma consultoria em Engenharia Alimentar para aperfeiçoar a produção, desenvolver os rótulos e atender exigências legais. Mas ainda sou eu quem faz tudo: cozinho, embalo, vendo, entrego…

Seu azeite temperado faz muito sucesso. Conte-nos a história dele.

Sou maratonista e aficionado por ter uma vida saudável. Procuro levar isso para os meus produtos. Cuido da alimentação há bastante tempo, desde que mudei minha vida em função da corrida. O primeiro azeite temperado que eu fiz naquele jantar com os amigos, e que eu vendo até hoje, foi uma receita que recebi da minha nutricionista: leva louro, orégano, açafrão, alecrim e alho. Ele sempre tem boa saída, não posso deixar de fazer.

O que a Azeite e Pão oferece?

O azeite de boa qualidade é, literalmente, a alma do meu negócio. Faço o azeite aromatizado em várias versões além daquele primeiro. Mas faço também pães e antepastos, e todos levam azeite de boa qualidade. O pão, aliás, começou a ser oferecido como forma de as pessoas poderem experimentar o azeite e, pela demanda, acabou sendo vendido também. Faço inclusive pães sem glúten, obedecendo a todos os cuidados para evitar contaminação cruzada: máquinas, forno e até facas são exclusivas para esta produção.

Hoje tenho cerca de 25 produtos e estou sempre pesquisando novos. Sonho vender também bons azeites nacionais, como forma de divulgá-los e por acreditar na sua qualidade.

O que mais te motiva a criar?

O grande barato pra mim é oferecer experiências gastronômicas interessantes pra quem vem provar meu produto. Para isso, tenho me especializado e fico atento a toda fonte de inspiração que encontro. Mesmo numa simples refeição estou sempre atento.

E escolho azeites diferentes para cada coisa, sempre pensando em harmonizar com os outros ingredientes que vão em cada produto: mais verde, mais maduro, amendoado, frutado etc.

Você foi se especializando e hoje sabe muito sobre azeite. O que tem de tão bom assim nele?

“Azeite bom é o fresco, com data de envase recente”, ensina Jorge Cunha, da Azeite e Pão

Sou apaixonado por azeite e pela cultura do azeite. Já fiz vários cursos de especialização e estou sempre procurando aprender mais. Infelizmente, aqui no Brasil, a gente não entende de azeite ainda.

A cultura do azeite é milenar e a produção mundial melhorou muito em qualidade nos últimos anos, com novas tecnologias de produção. O bom azeite é produzido no máximo de duas a três horas depois que as azeitonas são colhidas. Ele é armazenado em garrafas escuras para não oxidar. Há até painéis internacionais que avaliam a qualidade do azeite, química e sensorial.

Sem contar que ele é maravilhoso pra saúde. Pode ser usado até em frituras e ainda assim ele será um alimento saudável. Até o azeite extravirgem aguenta bem temperaturas altas, ao contrário do que se costuma dizer por aí.

E  por que sabemos tão pouco sobre azeite aqui no Brasil?

Não é verdade que aqui não temos o clima ideal para a produção de azeite. O que aconteceu foi que o Império português, quando veio pro Brasil, trouxe oliveiras, mas quando partiu mandou arrancar todas para que não fizéssemos concorrência e continuássemos comprando de lá. Faz poucos anos que o Brasil começou a produzir. A produção ainda é pequena e muito artesanal, mas já temos azeites premiados em vários concursos internacionais importantes.

O que você recomenda para escolher um bom azeite na hora de comprar?

O importante é ser um azeite fresco. Quando for comprar, tem que ver principalmente se a data de envase é recente. Quanto mais recente, melhor, ao contrário do vinho, que fica melhor quando mais velho. E, claro, também ficar de olho na validade, que varia de região para região no mundo. Se você usar um azeite rançoso, toda a sua comida vai ficar com gosto ruim.

Qual a melhor parte e o que é mais desafiador em empreender?

Não tem nada que eu não goste. Curto cada momento, me organizo pra cada ta

Jorge Cunha criou seu negócio a partir de seu gosto pela cozinha e pela alimentação saudável.

refa… gostaria de terceirizar a entrega, porque toma muito tempo. Mas eu adoro tudo, não penso em fazer outra coisa hoje. Porém, sem dúvida, estar direto com o público, interagindo, vendo as reações das pessoas é a melhor parte. É o que te permite aperfeiçoar sempre e o que compensa todo o cansaço.

Fazer feira é muito gostoso, embora cansativo. Mas faz falta ter um ponto de vendas fixo também, o que é bem caro para uma empresa pequena manter. A Nuv.ooo possibilita ter este ponto. Além disso, eu acredito que a gente tem que tentar as coisas novas e aproveitar as oportunidades que aparecem. O modelo é novo pra mim, mas estou empolgado.  É um lugar diferente, nobre, tem uma boa estrutura e uma apresentação caprichada. Tudo isso dá uma outra leitura ao produto. Por que não ser artesanal e sofisticado?