Jandyra Bolais tem emprego formal, mas empreender para ela é mais que uma opção ou apenas complemento da renda: é algo que sua alma pede. Dedicada a diversas técnicas manuais desde a infância, afirma que sem criar não estaria completa. E a gestora ambiental e educadora ainda dá um jeito de colocar todas as suas paixões no seu negócio: suas peças de crochê moderno são feitas exclusivamente com fios de malha derivados de resíduos da indústria textil, material que de outra forma iria para o lixo. Também está se preparando para começar a dar aulas das técnicas que utiliza em breve.

Qual a sua formação e como você começou a empreender?

Sou graduada em Gestão Ambiental e trabalho como agente de apoio à Educação Especial. Fiz Gestão Ambiental com vontade de unir o amor pelo meio ambiente com a vontade de dar aulas e depois a formação para lecionar para crianças, inclusive para a Educação Especial, e me apaixonei. Já o artesanato sempre esteve presente na sua vida. Minha mãe costurava e ainda criança aprendi diversas técnicas na minha cidade, Guidoval, no interior de Minas. Desde nova eu sempre gostei de fazer coisinhas, vender e ter meu dinheiro.

Se você tem um emprego de que gosta tanto, porque empreende também?

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Cegonha de crochê moderno: para pendurar vários objetos, como plantas ou brinquedos

Empreendo hoje sobretudo por paixão em fazer artesanato! Por isso eu uso o slogan “unindo amor e criatividade”: acredito que amando o que faz, a pessoa acaba fazendo coisas criativas e isto meu conceito de realização. Por isso o slogan da Janbolé é ‘unindo amor e criatividade”. Criar me completa muito, estou sempre arrumando tempo pra fazer algo. Trabalho com diversas técnicas e adoro aprender novas. Quando uma técnica me interessa, procuro aprender e já saio fazendo.

Conta um pouco da história da Janbolé.

O nome é uma brincadeira com meu nome, Jandyra Bolais, que se pronuncia “Bolé”. A marca começou quando nasceu meu sobrinho, hoje com sete anos. Minha cunhada começou a pedir coisas pro quartinho dele e eu fui fazendo em MDF, costura etc. Aquilo me reavivou um gosto antigo por lidar com vendas e estar em contato com o público. Criei uma loja virtual, que comecei com estes produtos feitos para o meu afilhado como mostruário, daí fui crescendo e diversificando. Então veio a busca pela técnica a ser usada. MDF e costura não funcionaram bem por já haverem outras marcas com trabalhos parecidos no mercado, então parti para uma uma pesquisa sobre o que, entre o que gostava de fazer, era mais inédito e teria boa aceitação. Decidi pelo crochê e desde então este tem sido meu carro chefe. Agora, como muitas pessoas tem pedido, estou me preparando para dar aulas de artesanato. Vai ser maravilhoso, uma forma de juntar duas das minhas paixões: as técnicas manuais e a educação.

Você faz tudo sozinha?

Sim, mas considero meu marido, Rafael Duarte, como se fosse um sócio. É ele quem cuida da parte burocrática, que eu detesto, ajuda nas feiras… Ele já entende tanto do meu trabalho que se tornou um crítico no sentido construtivo: alguém que sempre colabora com a evolução da técnica e dos produtos.

Qual a inspiração das suas peças, no que elas se diferenciam?

O trabalho tem uma pegada moderna e faço primordialmente com fio de malha residual da indústria textil, ou seja, feito a partir de materiais que, de outra forma, teriam o lixo como destino. Existem fios feitos especialmente para o artesanato, mas depois que eu conheci o fio de malha residual, achei que eu podia juntar as coisas e fazer minha parte pelo meio ambiente. E tudo tem meu toque pessoal também: até as etiquetas dos produtos são pirografadas em couro por mim mesma, uma a uma, a mão livre.

Qual é a parte mais prazerosa e qual o maior desafio de empreender?

Meu maior prazer é ter contato direto com as pessoas e ver como elas ficam admiradas e felizes com o que eu faço. Eu entrego coisas simples e o olhar da pessoa torna aquilo grande. Gosto de lidar direto com o público, gosto de fazer feiras. Por mais que a gente possa até não vender o que precisa, a troca é sempre muito rica. Já a maior dificuldade são as burocracias, as planilhas… fico me perguntando: que dia vou conseguir fazer isso com amor? (risos)

O que te atraiu a participar da Nuv.ooo?

Minha maior experiência é com feiras e também já vendi alguns produtos numa loja de decoração em

cesto organizador em crochê de malha com fundo de acrílico
Cesto organizador em crochê de malha com fundo de acrílico

que trabalhei. A Nuv.ooo vai ser minha primeira experiência com uma loja coletiva. Pesquisei algumas e achei que a apresentação e organização são diferenciais, mas o projeto me tocou principalmente pelo destaque que dá às marcas. Senti que ali serei representada como se eu estivesse presente. Além de cuidarem da exposição e da venda, é um lugar seguro, cuidam da burocracia e é um modelo que dilui os custos de uma loja física. Também me motiva estar grávida do meu primeiro filho. Prevejo que terei menos tempo ainda para me dedicar a comercializar minhas peças. Também acredito que com uma loja física em uma localização bacana, fora o site, dependerei menos da sorte do que em feiras, onde intempéries e outros contratempos, nada incomuns, pesam no retorno do investimento.