José London já fez muita coisa diferente na vida, mas o fio condutor, segundo palavras da própria filha, que ele cita, é se reinventar sempre. A cabeça inquieta e criativa, bem como o leve sorriso e a facilidade em prender a atenção de quem o escuta são, sem dúvida, suas marcas. Foi numa dessas fases de reinvenção que surgiu a necessidade de olhar pra dentro e focar em si próprio. Dessa experiência surgiu a Mandalaria JL, como ele nos conta abaixo.

Qual a sua formação e quais outros trabalhos você já teve? Você já empreendeu antes da Mandalaria?

Uau… já fiz muita coisa! Me formei em Biologia, fui professor, trabalhei no comércio da minha família, tive uma fábrica de bonés e também já fui representante comercial. Hoje sou professor de estudos judaicos em uma sinagoga e concilio o trabalho como educador com o negócio com as mandalas. São duas verdadeiras duas paixões para mim.

Como surgiu a Mandalaria JL?

Comecei a desenhar mandalas como um “hobby terapêutico”, para desestressar e recuperar o foco em

mandalas da Mandalaria JL
As mandalas da Mandalaria JL…

momentos atribulados. Meus amigos e família viram os desenhos e começaram a me incentivar a fazer alguma coisa daquilo, mas eu não via muito o quê, achava que já tinha gente demais trabalhando com mandalas. Foi numa viagem a Israel, há quatro anos, que achei o tom: incluir mensagens inspiracionais nas mandalas. Comecei a comercializar meus desenhos  escrevendo bençãos da tradição judaica neles e vendendo na forma de quadros. Com o tempo, veio a ideia de diversificar e fazer pingentes para colares. Daí passei a acrescentar também palavras inspiradoras, como “gratidão”, “paixão”, “perseverança” no verso de cada pingente. A associação de cada mandala com uma palavra vem de estudos, mas principalmente da minha intuição. Tento não me prender apenas aos dados das minhas pesquisas para o trabalho criativo poder fluir. Muitas vezes, também mentalizo os temas e desenho pensando neles.

 

Para que servem as mandalas? Como escolher uma?

 

… e os conceitos escritos no verso: reforço na inspiração.

Não tem mandala “certa” nem “errada” para ninguém. Não tem receita, você tem que achar a sua. Ela tem que te conquistar pelo desenho. A palavra que eu ponho atrás é mais uma informação, mas a energia é gerada pelo desenho. Já vi histórias incríveis que provam isto. Às vezes a pessoa chega na minha banca, vira várias mandalas para ver o que eu escrevi no verso e em todas está a mesma palavra. Já vi isso acontecer várias vezes. Uma mandala funciona como um catalizador de energia que te ajuda a focar, a mentalizar e se concentrar em alguma demanda que você tem. Foi o que aconteceu na minha vida quando comecei a desenhá-las. A função delas é tornar essa demanda consciente.  A mandala não faz milagre, ela te ajuda a focar no que você precisa, a conscientizar.

 

Onde você comercializa suas mandalas?

Faço muitas feiras. Tenho ponto fixo na Feira de Ipanema, mas faço outras também. A Nuv.ooo chegou na hora em que eu pensava em ter um espaço físico permanente, mas justamente vendo como fazer isso, por conta dos custos altos implicados. Tem uma demanda forte de pessoas procurando as mandalas em dias que não tem feira, os clientes querem poder achar meus produtos e isso é bom pra mim. Sem contar que, se o ritmo das vendas no comércio já não tem muita lógica, no comércio de rua a lógica é zero. Na feira, às vezes todas as condições são aparentemente perfeitas e a coisa não dá certo por qualquer razão. É um ramo muito instável.

O que me move a empreender é exercer minha criatividade, vontade de criar. Como diz minha filha, sou especialista em me reinventar. Já estou pensando nas próximas peças. Teremos lançamentos em breve, com certeza. O maior desafio sem dúvida é lidar com a instabilidade econômica e política do país. Em mais de 30 anos, nunca consegui viver como empreendedor uma fase de normalidade, sempre é matar um leão por dia.