Estevão e Fernanda da Fonseca se conheceram num desses golpes do destino. Ela, mineira de Belo Horizonte, de férias em Niterói, fez amizade com a vizinha da tia que a hospedava. Ele, que estava num mochilão pelo Nordeste, com amigos e sem data para voltar, deu um estalo e resolveu visitar a família… acontece que a mãe dele era a tal vizinha da tia. Foi amor imediato, Estevão com 20 e Fernanda com 18. Desde então, nunca mais se desgrudaram. Juntos, moraram em BH e voltaram para o Rio. Juntos, vem descobrindo e criando seus caminhos profissionais, trabalharam por quatro anos como fotógrafos e traçam planos, para as próximas viagens e para a vida toda. E foi nas viagens para produzir ensaios fotográficos nos arredores de BH que começaram a reparar na natureza com outros olhos, trazer plantas para casa, aprender e amar se relacionar com elas. Era a sementinha da Capricha no Verde, que hoje floresce na Nuv.ooo com seus vasos e terrários.

Conte-nos um pouco sobre vocês

Estevão – Somos um carioca e uma mineira e já estamos juntos há quase 9 anos. Nos casamos bem

Estevão e Fernanda, da Capricha no Verde: parceria de vida e de mão na massa, neste caso, mãos na terra
Estevão e Fernanda, da Capricha no Verde: parceria de vida e de mão na massa, neste caso, mãos na terra

novinhos e sem saber muito bem o que faríamos da nossa vida. Fomos descobrindo aos poucos, juntos, o caminho que iríamos trilhar. Morávamos em Belo Horizonte  e por muitos anos trabalhamos com fotografia de casamentos. Em nossas viagens a trabalho, nas serras dos arredores da cidade, começamos a observar mais e mais a natureza. As formas abstratas dos galhos, as nuances de verde, a fluidez das composições orgânicas… Começamos a levar algumas plantinhas para dentro de casa e tudo isso foi mudando a gente e nos guiando para o caminho que estamos hoje. Em junho do ano passado, viemos morar no Rio de Janeiro. Aqui, nossa paixão pelas plantas cresceu muito e nosso apartamento virou uma verdadeira floresta urbana! Íamos publicando os vasos que fazíamos e amigos começaram a encomendar… no começo deste ano, percebemos que nossas vendas estavam indo bem e que poderíamos viver da nossa paixão pelo verde. Decidimos, então, largar tudo que fazíamos para sujar as mãos de terra.

Então a coisa cresceu de forma bem orgânica… como uma plantinha mesmo!

Estevão – Exatamente. Nós fomos nos envolvendo cada vez mais e foi se tornando óbvio o que deveríamos fazer. Daí, um belo dia, veio a ideia da Capricha no Verde. Foi meio que um insight mesmo. Nós amamos ficar no Pinterest olhando fotos e aquelas casas bem verdinhas, cheias de plantas para tudo que é lado, sempre nos chamaram muita atenção. A gente ficava babando. Naturalmente fomos nos inspirando e nos envolvendo cada mais vez no cultivo de plantas. As pessoas viam os arranjos que fazíamos e gostavam e isso foi um primeiro estímulo no momento em que decidimos investir no que já amávamos fazer.

Fernanda – No início, nossa ideia não era ganhar dinheiro com isso. Quando os amigos começaram a ver e nos pedir, a gente pensava em vender para, com o lucro, comprar plantas para a nossa casa, comprar em quantidade para pagar mais barato e poder ter todas as plantas que queríamos. Mas fomos postando no Instagram, as pessoas foram se interessando e foi acontecendo.

A gente percebe que as pessoas tem se interessado mais por ter plantas em casas e apartamentos, sobretudo nas grandes cidades, e compartilham isso nas redes sociais. O que vocês acham dessa tendência?

Estevão – É muito bom ver as pessoas valorizando mais a convivência com o verde. Um dia, enquanto vendíamos nossos vasos numa banquinha que colocávamos na frente do nosso prédio, nosso primeiro “ponto de venda”, um senhor disse que achava ótimo nosso trabalho, pois as pessoas deixaram de se preocupar umas com as outras, mas ter plantas em casa faz elas desenvolverem essa coisa do cuidado. De fato, isso extrapola para as relações humanas também, as pessoas, quando cuidam de plantas, passam a cuidar melhor umas das outras, disse ele. Para nós mesmos foi assim: não só fez a gente se preocupar mais ainda com o outro, mas com o mundo e o meio ambiente como um todo.

Qual o trabalho de cada um na empresa?

Fernanda – Fazemos tudo juntos, desde plantar até tudo mais. O Estevão acaba cuidando mais da comunicação, responde e-mail, faz as redes sociais, mas eu também sempre participo, ajudo a escolher as fotos, pensar no feed e no conteúdo também.

Estevão – A única coisa é que cada um faz seus próprios vasos. Trabalhamos juntos, mas cada um faz os seus.

Fernanda – E a gente acha até engraçado porque os vasos acabam tendo a personalidade de cada um. E os clientes acabam se identificando com nossos estilos individuais. Não raro, sem saber, alguém tem preferência só por vasos que eu fiz ou que ele fez, nunca misturado.

Como é o pós venda? Vocês dão assistência, dicas…

Estevão – Sempre! Deixamos nosso contato e as pessoas pedem muita ajuda. Às vezes nos pedem inclusive para ajudar com plantas e reformar vasos que elas já tem em casa, comprados em outros lugares.

Fernanda – Uma única vez aconteceu de uma pessoas ter uma plantinha vendida por nós muito mal, quase morrendo. Ela mandou uma foto e só de ver o local onde a planta estava e sua aparência eu já sabia o que estava acontecendo: falta os cuidados certos. Pedi para ela colocar a planta numa área mais iluminada da casa e molhar mais, pois estava bem seca. Não é todo lugar que uma planta gosta na casa e ela sempre dá sinais, “ fala” se está gostando ou não.

Vocês conversam com as plantas?

Fernanda – Eu sou mais de conversar que o Estevão. Elogio, parabenizo pelas flores, pelas mudinhas… ele me olha e perguntar: você está mesmo conversando com a planta?? (risos)

Estevão – Mas ultimamente eu tenho conversado também… vejo ela conversando e converso um pouco, dou uma atenção, faço um carinho (risos). Não posso afirmar que elas sintam energia positiva das pessoas por causa da conversa, mas fato é que as nossas plantas estão super bem.

Quais são os seus produtos? Que materiais vocês usam?

Mini desertos, uma das criações do casal

Estevão – Nosso carro chefe, desde o começo, são os arranjos em vasos de barro. Nós amamos a rusticidade do barro! Também fazemos arranjos em vidros e troncos. Nunca fazemos dois arranjos iguais, queremos que cada um de nossos clientes tenham algo exclusivo e que reflita sua personalidade. Acreditamos nessa conexão com as plantas e que há uma identificação quando as vemos pela primeira vez. Todos os arranjos que fazemos se diferem desde a escolha delas até a composição final com musgos, galhos e pedras. As únicas peças que se repetem são as de plantas individuais. Nós mesmos projetamos os nossos vasos, do formato às medidas finais, e acompanhamos todo o processo da produção. Também trabalhamos apenas com pequenos artesãos, desta forma podemos ajudar a estimular o mercado local. Todo o processo de produção de um arranjo é carregado de muito cuidado, carinho, história e significado.

Como e porque você começaram a empreender?

Estevão – Trabalhamos com fotografia e agora criamos a Capricha no Verde. Neste ínterim, tive um emprego, foi graças a ele que viemos para o Rio, mas acho que o empreendedorismo está no nosso sangue. Não sentimos que nascemos para trabalhar para alguém. No começo de um emprego tudo corre muito bem, até começarmos a sentir que é muito pouco, não conseguimos ficar presos a uma mesa de escritório. Gostamos de criar, quebrar a cabeça, desenvolver ideias, conversar com as pessoas. A vontade de criar algo nosso é mais forte que tudo.

Qual a maior dor e qual a maior delícia de empreender?

Estevão – A maior dor acreditamos que é o medo de não sermos compreendidos, de que as pessoas não acolham e valorizem nosso trabalho. De fracassarmos por não conseguirmos vender nossas peças e principalmente nossas ideias. Isso vem um pouco do tempo da fotografia, que é um mercado onde nem sempre o cliente consegue entender e valorizar a complexidade por trás de um bom resultado. Já a maior alegria é quando as pessoas veem nossos produtos e dão sorrisos. Isso é o sucesso para nós, quando seus clientes entendem seu produto, vêem valor nele e criam um laço afetivo. É algo mágico e leva embora o nosso medo.

O que vocês acham de iniciativas como a Nuv.ooo?

Achamos esse formato de loja genial e nossa experiência está sendo boa. É uma forma de acelerar o crescimento de marcas que estão começando e para nós isto é algo muito nobre. A Nuv.ooo é uma loja que inspira nossa confiança desde o primeiro minuto que ouvimos falar dela. A identidade da loja e a missão fazem tanto sentido pra nós que não poderíamos ficar de fora!