Plantas são companheiras, trazem inspiração, embelezam e humanizam ambientes. A arquiteta Malu Borges sempre amou plantas e foi um desdobramento natural que elas acabassem virando também seu negócio. Quando descobriu as kokedamas, arranjos de origem japonesa de fácil manutenção, ideais para quem tem pouco tempo e espaço, mergulhou de cabeça neste universo. Estivemos com a Malu no seu ateliê, que é também sua casa. No apartamento tomado de verde, entre mudinhas, terra, substratos e linhas coloridas, fomos acompanhar seus momentos de criação que são, além de trabalho, prazer e uma espécie de meditação também. O resultado você vê na entrevista abaixo e na galeria de fotos, ao final.

Malu em seu apartamento: plantas que exigem poucos cuidadados e para lugares pequenos, para quem não tem tempo, mas ama o verde (fotos: Taís Peyneau/ Fotografe Sua Marca)

Fale um pouco de você

Sou formada em Arquitetura, trabalhei como arquiteta em projetos, obras, eventos etc. Trabalhei ainda com logística por 5 anos. Era um desafio, mas eu sou bem motivada pelos desafios. Em 2016, devido à crise econômica e tal, acabei demitida.

E quando as kokedamas entraram na sua vida?

Sempre gostei de plantas, sempre tive muitas, mas não tinha muito tempo enquanto eu trabalhava fora. Depois da demissão, eu comecei a me reaproximar delas. Como arquiteta, eu até fazia paisagismo, mas cuidar das plantas é diferente, daí fui estudar e praticar, procurei cursos de jardinagem e outros. Neste ínterim, meu filho precisou fazer uma obra no banheiro de casa e eu me prontifiquei a tocar a reforma. Ficou lindo e eu dei a ideia de por alguma plantinha pra alegrar mais. Ele concordou, mas manifestou seu medo dela acabar morrendo por ele não ter muito tempo nem jeito para cuidar. Foi assim que eu entrei na Internet pesquisando por “plantas para banheiro” e por “plantas fáceis de cuidar em casa”. Nessa pesquisa eu achei as kokedamas, que são um arranjo em que se cultiva a planta numa bola de musgo envolta por um fio que lhe dá forma, funcionando como um vaso.  Daí veio também o nome da marca, Nufiu.

E como foi o caminho entre descobrir a técnica e ela virar um negócio?

De cara, me apaixonei e tentei comprar uma. Só que, há três anos, quando comecei, não se achavam kokedamas aqui no Rio e o jeito foi fazer. Eu pegava tutoriais nuns sites asiáticos, não entendia nada, mas pela imagem eu ia aprendendo e tentando adaptar. Fiz essa primeira para o banheiro dele e mais algumas para presentear amigos e foi um sucesso, as pessoas começaram a me pedir. Num primeiro momento, eu fazia porque estava gostoso, eu me sentia bem lidando com as plantas, aceitava apenas encomendas e fiz também como brindes para eventos. Mas a coisa foi ganhando corpo a partir de quando minha filha criou o perfil da Nufiu no Instagram. Era perto do Natal e as pessoas começaram a encomendar para presente, pessoas que eu nem conhecia… quando vi, estava completamente envolvida, tinha virado uma nova ocupação. Hoje não só vendo como comecei a dar cursos também, ensinar outras pessoas a fazerem, elas próprias, seus arranjos.

Qual a origem das kokedamas?

Diz-se que ela é uma espécie de bonsai popular. Surgiu no Japão há séculos. Naquela época, o bonsai era uma técnica cara e, segundo contam, as kokedamas permitiam que pessoas menos abastadas também pudessem ter seus arranjos. Faço uma outra interpretação aí: o bonsai precisa de sol, já a kokedama você pode deixar dentro de casa, creio que as pessoas devem ter começado a fazê-las para permitir esse cultivo em interiores.

Kokedamas feitas pela Malu em sua casa/ ateliê

Então a Kokedama é pensada para pessoas que gostam de plantas, mas tem pouco espaço e tempo, certo?

Exatamente. É uma preocupação minha desde o primeiro arranjo que eu fiz, lá pro banheiro do meu filho: que tenham uma manutenção facilitada e que fiquem bem dentro de casa. 

Como é a rotina de cuidados com elas?

Geralmente, é preciso molhá-las uma vez por semana, o que é feito deixando-as imersas em um recipiente com água por algum tempo. Isso é o básico. Além disso, é bom de vez em quando por a mão pra ver se o arranjo ainda está úmido, já que temos períodos mais secos e mais chuvosos. Algumas espécies tem detalhes mais particulares que são explicados nos folhetinhos que as acompanham. Elas exigem pouco, mas cada plantinha precisa ser sentida. E eu me preocupo muito em que as pessoas possam saber cuidar bem de cada planta, em ensinar.

Você tem uma casa cheia de plantas. Você conversa com elas?

Claro, Muito! Eu sempre pergunto paras as mudinhas qual quer virar kokedama daquela vez. Elogio flores, brotinhos, incentivo elas a melhorar quando não estão muito bem… faz parte da minha rotina com elas. Planta precisa de atenção, é um relacionamento. 

É preciso cuidados especiais para vendê-las dentro de um Shopping?

De fato, o ambiente do shopping não é o mais adequado, por isso eu vou toda segunda e quinta na Nuv.ooo, faço manutenção lá mesmo ou levo elas para a minha casa para cuidar, para receberem luz natural, que é o que vai acontecer em qualquer ambiente doméstico. Estou sempre trocando as plantas do mostruário. Me preocupo com a saúde de cada plantinha, que a pessoa leve sempre uma kokedama saudável e que seja orientada para cuidar bem dela.

Tem uma tendência forte hoje, quase uma “moda”, de as pessoas cultivarem plantas em ambientes urbanos, trazerem o verde para dentro de casas e apartamentos e para perto delas. Como você vê este movimento?

Acho ótimo! As pessoas tem que trazer o verde para dentro de casa mesmo. As cidades muitas vezes não favorecem essa convivência. Eu sempre tive muitas plantas. É um ser vivo, é companhia, traz paz… ela fala com você, cada dia está de uma forma, dá sinais do que precisa e você vai observando e aprendendo a se relacionar com ela, desenvolve toda uma sensibilidade. Fora isso, elas purificam o ar, ajudam na qualidade de vida. Há quem diga inclusive que limpam energias negativas.

Malu Borges, da Nufiu Jardinagem, e suas kokedamas, em seu ateliê, que também é sua casaA arquiteta Malu Borges, da Nufiu Jardinagem, com suas kokedamas