Primeiro negócio da Patrícia Rodrigues, a Duda Lima, marca de roupas confortáveis e lúdicas para meninas, nasceu junto com sua filha, há 17 anos. O desejo de ser dona do seu tempo e responsável pelo seu sustento do seu jeito fez com que a empreendedora desde sempre preferisse trabalhar para si do que no mercado formal. Nestes 17 anos, Patrícia conheceu a Economia Colaborativa e criou outros dois negócios, sempre tendo como princípio a responsabilidade social e a sustentabilidade. Conheça um pouco mais dessa moça apaixonada pela liberdade e que sempre cria se perguntando o que pode fazer pelo seu entorno. “Gosto de pensar que não é só sobre dinheiro, trocamos serviços, bens e isso também nos gera outras oportunidades”, diz.

Fale um pouco sobre você

Sou publicitária de formação, mas empreendo desde antes mesmo de me formar: a Duda Lima foi meu primeiro negócio e começou em 2002. Gosto muito da minha formação, desenvolveu muito minha criatividade. Tive alguns trabalhos na área, sempre em paralelo com a minha marca, mas não gosto da adrenalina do mercado publicitário. E não gosto da ideia de trabalhar para outra pessoa. Ainda na faculdade, conheci temas como Economia Colaborativa e Economia Criativa e me apaixonei. Gosto que meu trabalho atenda a grupos que tenham interesses em comum e gosto da colaboração, da troca… ano passado fui à Califórnia e levei peças minhas para sustentar a viagem. Não apenas vendi, como fiz permuta por hospedagem etc. 

 

Porque você começou  a empreender?

A Duda Lima tem o nome da minha filha, Maria Eduarda. Quando comecei, em 2002, eu ainda estava na faculdade e tinha acabado de tê-la. Não existiam, no Rio, marcas infantis mais despojadas. A gente via coisas muito tradicionais ou então roupas que sensualizavam muito as crianças. Como eu não achava roupas do jeito que eu queria, comecei a fazer. Logo as mães das coleguinhas começaram a perguntar onde poderiam achar aqueles modelos e assim eu comecei. Além disso, sempre foi uma necessidade ter minha renda sem estar no mercado de trabalho formal. Não tenho perfil para ter rotina, hierarquia, horários controlados, nunca tive.

Qual diferencial você procura imprimir nas suas peças?

Fazemos roupas para meninas e procuramos valorizar a infância na própria modelagem: são roupas confortáveis, que não expõem a criança de forma sensualizada, com as quais ela pode brincar sem estar incomodada. Sem contar que nossa modelagem maior não só se adapta aos diversos tipos de corpo como pode ser usada por mais tempo, já que crianças crescem muito rápido. Fora isso, a gente adora uma saia rodada, um caimento “de princesa”, estampas mais divertidas e infantis. A ideia é ser lúdico também. E todas as peças também tem um nome e uma história. A coleção atual, por exemplo, tem nomes de praias da califórnia e remetem a lembranças da minha viagem para lá no ano passado: jardins de rosas, conchinhas e pérolas…

Como é seu processo criativo e de produção?

Eu desenho os modelos e escolho os tecidos. As costureiras que trabalham comigo também participam muito, criam junto comigo. É uma produção bem artesanal, quase exclusiva: são poucas peças de cada modelo, a mão de obra é valorizada adequadamente. O nosso valor é vestir com leveza e caimento.  Nosso objetivo não é produzir muito, nossa intenção é fazer moda personalizada.

Como estudar Economia Colaborativa e Economia Criativa impactou no seu negócio?

Estes temas despertaram em mim um pensamento sustentável, ampliaram muito minha visão de mundo e as possibilidades do meu trabalho. Meu interesse empreendedor deixou de ser apenas mercadológico. Adaptei a Duda Lima e hoje trabalhamos com costureiras da nossa região, todas bem remuneradas, de forma justa. Também trabalho com retalhos de tecidos de qualidade, peças que muitas vezes ficam esquecidas nas lojas pela metragem pequena e que nós aproveitamos. Além disso, hoje também tenho um outro projeto que vai nessa linha, o Creative Economy Art, onde faço parcerias e trabalhamos com lona reaproveitada de cartazes de propaganda, capacitando comunidades de baixa renda para produzir diversas peças, como bolsas, necessaires e comercializá-las. Este é um projeto sem fins lucrativos. Gosto de pensar que o empreendedorismo não é só sobre dinheiro, trocamos serviços, bens, ganhamos reputação e isso também nos gera outras oportunidades. E agora estou começando também com uma marca de roupas para Pets, também de olho em fazer o negócio ser sustentável.

Sua filha hoje tem 17 anos. Como é a relação dela com a marca?

A Duda é minha única filha. Mais nova, ela adorava vestir as roupas que eu fazia. Até hoje ela me apoia, sente orgulho. As duas cresceram juntas, literalmente. Eu sempre fiz questão de apoiar a programação cultural infantil e me lembro de uma ocasião em que fomos ao teatro e era uma das peças que eu apoiava. A nossa logomarca estava no cartaz, na entrada. A logo é uma bonequinha e minha filha, bem pequena, com uns cinco anos, falou para uma menininha ao lado: “essa aqui sou eu”. A menina respondia que não, que era ela (a menina) e minha filha tentava explicar que ela era a Duda de verdade. Foi muito engraçado.

Você tem muitos anos de experiência como empreendedora. Qual a maior dor e qual a maior delícia de empreender para você?

Empreender é ser responsável pelo sucesso e também pela derrota. O mais chato para mim está relacionado à parte burocrática de um negócio: fazer planilhas, contas… A melhor é ver alguém gostar e elogiar o seu produto, sempre. Além de criar, claro!

De que formas você já vendeu seu produto?

Já expus em várias lojas e algumas feiras. Fiz muita venda direta, indo na casa do cliente, também. Em todos estes modelos, a aceitação sempre foi muito boa. Também apoiava projetos culturais infantis, fiz eventos, desfiles beneficiente, tudo ao redor da marca. Sempre fiz questão de unir ações assim ao meu trabalho.

Por que você decidiu entrar especificamente para a Nuv.ooo?

Foi a Duda, minha filha, que conheceu a loja me mostrou. Ela adora a Nuv.ooo, é cliente. Achei que a proposta tinha tudo a ver com o que eu acredito e chegou num momento em que eu estou cada vez mais querendo focar na produção, que é meu maior prazer, e sair das vendas. O modelo da Nuv.ooo é o que busco desde sempre: o da parceria.

Além da Duda Lima, hoje você tem dois outros negócios. O que te move a empreender todos eles?

É a oportunidade de fazer o que eu quero e do meu jeito, independente do que o sistema impõe. É a garantia da minha independência pessoal e existencial, de me sustentar dessa forma. Eu não acredito que você precisa trabalhar para alguém, cumprir horários… basta ter uma ideia na cabeça e boa vontade. Empreender não é fácil, você trabalha muito, mas é em benefício próprio e de outros. O que me move é a possibilidade de fazer algo diferente e dar certo. As pessoas geralmente tem medo, acham que se não tiver um emprego vai faltar até o que comer… tanta gente acorda antes do sol para trabalhar para os outros, sem prazer algum: imagina usar essa energia para fazer algo por si, como seria bom!